Não cabe só à escola funcionar como sub-sistema para alcançar a cidadania crítica. Existem outros, com responsabilidades que, recorrendo a estratégias concertadas visam também alcançar esse exercício da cidadania crítica, dano não só ao sistema mas também a sub-sistemas uma perspetiva orgânica e coletiva!
Assim sendo, começo por referir que o desenvolvimento da educação, nas suas mais diferentes modalidades, assenta na intervenção direta sobre os indivíduos, em especial sobre as comunidades humanas, a partir de centros sediados em locais fixos ou em "nós" de uma teia de lugares centrais de onde irradiam ou têm lugar atividades relacionadas com o ensino e a formação. Nesse sentido, podemos entender como elementos estruturantes do sistema de ensino e formação a existência desses diferentes nós de onde emanam atividades de natureza educativa e formativa que não só a escola e onde relevo as associações e coletividades entre outras; estas que entre si formam uma rede de organizações marcadas por diferentes tipos de relações baseadas em contactos e troca de informações que despertam redes sociais e de conhecimento; falamos de comunidades de interesses e aprendizagens que, pela participação, permitem o funcionamento desses lugares garantindo também a sua perenidade.
Assim, mais importante que as redes de escola ou de formação, falemos de redes sociais ou de relação estabelecidas entre os cidadãos, eles próprios e, com as instituições, através das quais se estabelecem diferentes formas de colaboração, apoio e influência mútua.
Se pensarmos no facto de que as atividades desenvolvidas por um grupo de indivíduos têm objetivos comuns, então há que considerar também a experiência e a partilha de recursos e de estratégias que, concertadas, permitem atingir determinados fins de interesse coletivo
Estes atos de partilha, envolvimento familiar, comunitário e outros (voluntariado, associativismo) em atividades com fins educacionais fortalecem as redes de coesão social e de intervenção sócio-educativa.
Acredito, portanto, sem julgar estar a ser ousada que, cada um de nós, integrados num coletivo, por meio de estratégias concertadas onde se permeie partilha, cooperação, respeito, liberdade em exercício duma cidadania ativa, a par da escola e de outras organizações seremos sempre um sub-sistema que, como um "nó" alcançaremos interessantes fins de interesse coletivo.
Não só por esta perspetiva orgânica e coletiva mas também porque as responsabilidades do exercício duma cidadania crítica e democrática é extensiva a outros é importante referir que a educação para e na cidadania democrática não é algo que possa ser restringido à escola, aos atores escolares, ou somente aos alunos, curricularizável e avaliável ao estilo escolar mais convencional. Tra-se de uma "invenção social que exige um saber político gestando-se na prática de por ela lutar a que se junta a prática de sobre ela refletir" (Freire 1994a:194) e, portanto, é algo que não se adquire, nem chega por acaso (...) é uma construção que, jamais terminada, demanda briga por ela. Demanda engajamento, clareza política, coerência e decisão. Por isso mesmo é que uma educação democrática não se pode realizar à parte de uma educação da cidadania e para ela (Freire, 1997c:119).
Então façamos como Freire e sejamos todos construtores duma escola democrática. Falando e praticando. Tendo na prática a luta por ela e juntando-lhe a luta de sobre ela refletir! (Freire 1994a:194).
Freire, Paulo (1994a) Cartas a Cristina. São Paulo: Paz e Terra;
Freire, Paulo (1997c) Professora, sim, Tia Não. Cartas a quem ousa ensinar. São paulo: Olho d'Água,( 1ª ed. 1993)
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