Crescimento económico, desenvolvimento e desenvolvimento local é partilhar quantidade, qualidade, solidariedade e participação

Indicadores como PIB,rendimento per capita e outros  similares que apontam se existe ou não crescimento económico; este, por si só, certamente não é sinónimo de desenvolvimento,porquanto se carateriza essencialmente por conotações tipicamente quantitativas.

O desenvolvimento implica também, e essencialmente, dimensões relativas tanto à qualidade do processo de evolução económico-social quanto à amplitude participativo-beneficiária de toda a população por ele abrangida.  No processo de desenvolvimento, o alvo central é o ser humano como artesão do seu êxito ou fracasso, pois se requer que cada um, ao se tornar responsável pelo seu próprio progresso, de toda ordem e em todas as direções, influencie o seu entorno como fonte irradiadora de mudanças, de evolução cultural, de dinamização tecnológica e de equilibrio meio ambiental. Portanto, não se obtém desenvolvimento sem que se visualize o homem, à luz da hierarquia de valores, na sua integridade como pessoa humana, membro construtivo de sua comunidade e agente de equilíbrio no seu meio geofísico.

O processo de transformação requerido pelo desenvolvimento implica necessariamente a evolução conhecedora e autónoma do padrão de vida interno e externo de toda a população. Assim, a regra te´rica de base que fundamenta o capitalismo moderno, tem sido a de que todo desenvolvimento se caracterize predominantemente como processo de transformação económica com resultado imediato na área social, visando, por excelência, o crescimento do padrão de vida externo da população no seio da qual o mesmo ocorre. Nesse caso, a transformação social é vista como consequência da transformação económica, o que não se comprova, do ponto de vista histórico, principalmente nos países subdesenvolvidos e/ou em via de desenvolvimento. Pelo contrário, o aumento de riqueza económica não concebido, produzido e partilhado pela base populacional desses países, ao invés de gerar e alavancar a qualidade de vida das suas gentes  tem-na agravado de maneira contínua e brutal, especialmente no sentido dos segmentos populacionais de base para os de elite. 

Geram-se assim predominantemente as assimetrias essas que, também podem e devem ser combatidas pelo desenvolvimento local.  

O mais lógico será que as duas frentes de desenvolvimento -a social e a económica- andem interativamente juntas. A social potencializando as pessoas para se tornarem sujeitos e agentes inclusive da económica e a económica ensejando sustentação material e apoio instrumental ao alavancamento da social no curso da cadeia processual, disso resultando, aí sim, partilhada quantidade-com-qualidade em todas as dimensões de concretização  da vida humana: saúde, higiene, salubridade, trabalho, segurança, educação, habitação, lazer, cultura, iniciativa, criatividade, e oportunidades. Ou seja, o direito a que cada um de nós, enquanto cidadãos, iguais entre iguais, tenha uma vida digna bem como acesso a todas estas dimensões da concretização humana.

Estas conquistas devem ser construídas na melhoria da qualidade de vida dum espaço/território, pelos seus habitantes podendo assim traduzir-se, dessa forma, como sinonimo de bem-estar. É neste processo de conquista, construção e mudança que, duma forma simples chamo Desenvolvimento Local e, cuja promoção se efetua na implementação de ações nesses territórios, capazes de permitir a participação ativa dos cidadãos, o controle social efetivo sobre a gestão pública através do fortalecimento da sociedade civil e da participação de grupos sociais antes marginalizados, nas tomadas de decisão.  
Será certamente  assim mais fácil entender e associar o DL ao combate às assimetrias o que explica que a sua prática seja conducente à inclusão social, de resto considerada a essência do DL; ao fortalecimento e diversificação da economia local; à inovação da gestão pública; à proteção ambiental e ao uso disciplinado dos recursos naturais e à mobilização social.

Imagem disponível em www.google.com. palavra-chave: cordão umbilical

Assim a associação entre DL e o combate às assimetrias é algo que tem um forte cordão umbilical!
Ávila,V.F. & all (2001) Formação educacional em desenvolvimento local: relato de estudo em grupo  e análise de conceitos. 2.ed. Campo Grande:UCDB, disponível em  http://www.desenvolvimentolocalvfa.com.br/?cat=3, acedido em 2015.03.26

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