Trajetórias da Educação de Adultos,reflexo das políticas educativas


Dos contributos em forum de discussão, das colegas Paula e Sandra em sintonia com as mesmas constata-se que:  
A sociedade atual está inserida num contexto de mudança. Porém, o processo de mudança não implica meramente uma sucessão de inovações, mas sim o estabelecimento de uma cultura de mudança, isto é, o desenvolvimento da capacidade de inovar (Fullan, 2003:39).
Ora, para que se concretize a vontade de mudar e se responda ao que a sociedade há muito interroga teremos que pensar políticas educativas que proporcionem a concretização da mudança, no sentido de se caminhar ao encontro de uma política pública integrada, coerente e global corrigindo o vacacionalismo e instrumentalismo da Educação de Adultos. O mesmo será dizer, segundo os documentos produzidos sobre o assunto por (Lima et al, 1988; Melo et all 1998,2002) uma política assumindo contornos relativamente a:
Dinamização da alfabetização e literacias básicas;
Garantia da igualdade de acesso e sucesso à população adulta, precocemente excluída da educação e formação;
Organização e apoio a iniciativas educativas para a generalidade da população adulta;
Apoia a estruturas e processos de intervenção cívica;
Estímulo à promoção de organizações locais de animação, educação e desenvolvimento comunitário;
Reconhecimento, validação e certificação dos adquiridos expêrienciais dos adultos.
Voltando a Fullan (2003) acredito assim pertinente com ele corroborar não deixando contudo de refletir que estas trajetórias da EA podem sempre, adotando uma visão inovadora, concertadas entre o que de positivo vai existindo neste percurso da Educação de Adultos de modo a que, com as mais valias recolhidas no passado e as do presente se construa um caminho mais consolidado e ajustado às realidades atuais e, sempre em constante mudança.
Devido ao desenvolvimento da política pública de educação e formação de adultos iniciada pela Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos e mantida com algumas alterações (mesmo que importantes) até 2011 por outras agências, muitas entidades (públicas e privadas) promoveram ofertas de educação de base (como os Cursos de Educação e Formação de Adultos, bem como o Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) e outras de curta duração de âmbito geral ou de carácter profissionalizante. Esta experiência permitiu a formação em contexto de trabalho de muitos educadores de adultos, cerca de 10.000 de acordo com alguns relatórios (CNE, 2012), e o desenvolvimento de saberes associados às ofertas indicadas, bem como aos processos de candidatura, acompanhamento e avaliação de ações de educação e formação. Para além destes educadores, muitos outros trabalham no âmbito da formação profissional, ligados ao Instituto de Emprego e Formação Profissional ou outras entidades, coordenando, concebendo, desenvolvendo e avaliando ações muito diversas.
Todavia, estes saberes e experiência não têm sido valorizados (através, por exemplo, do desenvolvimento de estudos e projetos de intervenção no âmbito da formação contínua de educadores de adultos) e até foram desprezados após 2011, com a extinção dos Centros Novas Oportunidades e a suspensão de ofertas como os Cursos de Educação e Formação de Adultos, bem como o Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.
Apesar de vivermos em tempos adversos, estes saberes e experiência acumulados poderão ainda ser reaproveitados na adopção e implementação das mesmas ou de outras ofertas, em organizações (públicas e privadas) que foram essenciais para que muitos adultos obtivessem um diploma escolar e/ou uma qualificação profissional nos tempos mais recentes e que se constituíram em contextos de trabalho promotores de experiências de aprendizagem significativas para muitos profissionais.
Adicionalmente, devemos destacar que as instituições de ensino superior (politécnico e universitário) na atualidade possuem (hoje mais que no passado) pessoas qualificadas e capazes de conhecer, refletir, desenhar, implementar e avaliar novas propostas de investigação e intervenção no âmbito da educação de adultos. O contributo da academia para o conhecimento e a problematização da educação de adultos na atualidade (dos problemas e dos desafios) é essencial e poderá ser levado a cabo com rigor e objectividade.
A estes aspetos acrescem ainda o papel das Escolas Superiores de Educação e de algumas Universidades (e, dentro delas, os Institutos de Educação e as Faculdades de Psicologia e Ciências da Educação) na formação de profissionais especializados na Educação de Adultos e em áreas afins (Educação Social, Animação Socio-Comunitária, etc.).
E, desta realidade somos assim impelidos a fazer cumprir vários outros pressupostos aqui implicitos um dos quais me parece extraordinariamente importante -  a configuração múltipla das novas missões, funções e papeis dos professores e formadores num contexto de grandes mudanças e exigências - de forma a que também se possam ver cumpridas as grandes linhas de orientação estratégica,para a "Educação e formação 2020".
Temas que, naturalmente, não deixarei de abordar neste meu e-Portfólio e que enquanto parte integrante da Educação ,estou certa se manterão em construção contínua onde todos os interlocutores devem ter papel ativo já que, construir, é um ato coletivo.
Fullan, M. (2003), Liderar numa cultura de mudança. Porto, Edições Asa.
Melo, Alberto; Lima, Licínio; Almeida, Mariana (2002). Novas políticas de educação e formação de adultos. O contexto internacional e a situação Portuguesa. Lisboa: Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos

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