Uma das principais fragilidades da cidadania está relacionada com o aumento da apatia política e a indiferença ideológica porque muitos deixam de acreditar nos aspetos fundamentais da cidadania e abandonam a sua própria identidade. Esta questão conduz-nos a outras fragilidades: absentismo e desinformação; como num ato em cadeia porque impera a desacreditação nos procedimentos democráticos. A abstenção espelhando a não participação dos indivíduos na vida públicae, a desinformação dos cidadãos que alheados da realidade que os cerca, não são impelidos à participação para a transformar.
Na vida quotidiana
ouvimos de forma recorrente o discurso no qual se dá ênfase à necessidade de se
obter e ter informação bem como à relevância de garantir nossos direitos
através do exercício da cidadania. Assim, ao colocarmos como elementos
centrais da vida quotidiana informação e cidadania,temos a informação
representando a forma através da qual buscamos saber sobre a realidade de que
participamos e ao fazê-lo temos como objetivo de nos apropriarmos dos
diferentes aspectos que nos circundam, ou ir além do quotidiano de forma a
responder a indagações sobre a história da sociedade, os processos de produção
da vida, o lugar e o papel do homem no mundo, dentre outros. Assim obter
essa informação é uma prática social e implica uma atitude e ação do sujeito, visando
responder aos seus questionamentos e indagações a fim de se situar no
mundo, podendo, por seu posicionamento, contribuir para manter ou produzir
mudança no contexto da sociedade. E, doravante esta informação constitui-se
como informação social – significando que a compreendemos como um produto
social, resultado das relações entre os homens num contexto
histórico-político e cultural, facto que a faz refletir os interesses, as
contradições, a ideologia e os limites históricos da sociedade.
Desta forma a
construção da cidadania ou de práticas de cidadania passa necessariamente pela
questão do acesso e uso de informação, pois tanto a conquista de direitos
políticos, civis e sociais, como a implementação dos deveres do cidadão
dependem fundamentalmente do livre acesso à informação sobre tais direitos e
deveres, ou seja, depende da ampla disseminação e circulação da informação e,
ainda, de um processo comunicativo de discussão crítica sobre as diferentes
questões relativas à construção de uma sociedade mais justa e com maiores
oportunidades para todos os cidadãos. Diante desta colocação, podemos afirmar
que o não-acesso à informação ou ainda o acesso limitado ou o acesso a
informações distorcidas dificultam o exercício da cidadania. Neste sentido
a informação, tornada prática social ,e a cidadania são aportes
fundamentais para ação dos sujeitos. Acão que será então traduzida na presença,
na voz e no conhecimento dos cidadãos que, através da solidariedade
e da participação faça garantir os seus direitos e cumprir os seus
deveres.
Imagem disponível em www.google.com. Imagens. palavras-chave: cidadania, direitos, deveres, informação, absentismo
Du Certau, M. A
invenção do cotidiano. Petrópolis, Vozes: 1994.
Nora, S; Minc,
L. L’Information de La Societé. Paris: La Documentation: Loyola, 1993

Sem comentários:
Enviar um comentário