Na trajetória
da educação de adultos desde a educação permanente à aprendizagem ao
longo da vida, achei importante lembrar que foi dos muitos exemplos de práticas
educativas que emergiram nos anos 20,30 e 40 que, a educação de adultos começa
a ser aceite na sociedade.
No
entanto,creio que não ficam dúvidas de que a UNESCO fez nos anos 60/70 um
esforço único e particular no domínio da EA e que, foi a partir desta altura
que se consolidaram diferentes práticas conducentes ao conceito de
educação permanente e aprendizagem ao longo da vida. A educação
permanente com o objetivo da humanização e desenvolvimento ou seja, com
vista ao desenvolvimento da sociedade, de modo a que o progresso técnico e
a cultura beneficiassem todos os seres humanos.
Ora
creio que estes objetivos da época, se traduzidos na necessidade
das pessoas, como as sociedades, precisarem de mais educação (cívica e
política) que as capacitasse a serem actores em vez de vítimas da mudança e do
desenvolvimento devem continuar presentes, quer no panorama nacional como
internacional quando se pensa em educação de adultos e políticas educacionais;
isto porque, se nos anos 60/70, a educação dos adultos fazia parte
desse movimento, com esses objetivos e, como uma experiência de aproximação
hoje, conforme Pires (2002:10), "...num contexto sujeito a rápidas
mudanças, à incerteza e à imprevisibilidade" julgo que mais do que uma
experiência tem que se manter e progredir viva com base nas experiências de
todos das quais emerge a aproximação que acontece em diversos espaços e tempos
nutrientes da sua vitalidade.
Acredito
portanto que a educação de adultos correspondendo a movimentos
sociais, tenha sempre implícita uma vontade de mudar a sociedade, ou
seja, que resulte de movimentos sociais onde exista uma
prática educativa, política e social. Isso, remete-nos assim,certamente, para
uma multiplicidade de práticas onde a aprendizagem nunca está separada da
mudança ao mesmo tempo que a segue E, neste pressuposto de mudança
segundo Finger, “…Não se aprende por se ter aprendido, aprende-se por ter
mudado a situação, por ter, por exemplo, melhorado o nível de vida, aprende-se
para ter mais justiça, para ser mais competente, para participar
democraticamente na sociedade….”
Também
por tudo isto estou convicta de que nestas prespetivas se traça o
conceito de " Formação e Educação ao Longo da Vida", tendo deixado a
página do Livro Branco aberta, quando sintetizou em 1995, altura em que foi
lançado pela CE, as principais questões que hoje se colocam aos sistemas de
educação/formação e apresentando também, algumas propostas respeitantes a
iniciativas a desenvolver no contexto comunitário.
Finger, M, Asún, José Manuel. (2003), A
Educação de Adultos numa Encruzilhada. Aprender a nossa saída, Porto, Porto
Editora.
PIRES, L. (2002). Educação e formação ao longo da vida:
análise crítica dos sistemas e dispositivos de reconhecimento e validação de
aprendizagens e de competências. Lisboa: Universidade Nova de
Lisboa.
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