Partilhando com Finger (2003) e Pires(2002) o conceito de Formação e Educação ao Longo da Vida

Na trajetória da  educação de adultos desde a educação permanente à aprendizagem ao longo da vida, achei importante lembrar que foi dos muitos exemplos de práticas educativas que emergiram nos anos 20,30 e 40 que, a educação de adultos começa a ser aceite na sociedade.
No entanto,creio que não ficam dúvidas de que a UNESCO fez nos anos 60/70 um esforço único e particular no domínio da EA e que, foi a partir desta altura que se consolidaram  diferentes práticas conducentes ao conceito de educação permanente e aprendizagem ao longo da vida.  A educação permanente com o objetivo da humanização e  desenvolvimento ou seja, com vista ao desenvolvimento da sociedade, de modo a que o progresso técnico e a cultura beneficiassem todos os seres humanos.  
Ora creio que estes objetivos da época, se traduzidos na necessidade das pessoas, como as sociedades, precisarem de mais educação (cívica e política) que as capacitasse a serem actores em vez de vítimas da mudança e do desenvolvimento devem continuar presentes, quer no panorama nacional como internacional quando se pensa em educação de adultos e políticas educacionais; isto porque,  se nos anos 60/70, a educação dos adultos fazia parte desse movimento, com esses objetivos e, como uma experiência de aproximação hoje, conforme Pires (2002:10), "...num contexto sujeito a rápidas mudanças, à incerteza e à imprevisibilidade" julgo que mais do que uma experiência tem que se manter e progredir viva com base nas experiências de todos das quais emerge a aproximação que acontece em diversos espaços e tempos nutrientes da sua vitalidade.
Acredito portanto que a educação de adultos correspondendo  a movimentos sociais, tenha sempre implícita uma vontade de mudar a sociedade,  ou seja,  que resulte  de movimentos sociais  onde exista uma prática educativa, política e social. Isso, remete-nos assim,certamente, para uma multiplicidade de práticas onde a aprendizagem nunca está separada da mudança ao mesmo tempo que a segue E, neste pressuposto de mudança  segundo Finger, “…Não se aprende por se ter aprendido, aprende-se por ter mudado a situação, por ter, por exemplo, melhorado o nível de vida, aprende-se para ter mais justiça, para ser mais competente, para participar democraticamente na sociedade….”
Também por tudo isto estou convicta de que nestas prespetivas se traça  o conceito de " Formação e Educação ao Longo da Vida", tendo deixado a página do Livro Branco aberta, quando sintetizou em 1995, altura em que foi lançado pela CE, as principais questões que hoje se colocam aos sistemas de educação/formação e apresentando também, algumas propostas respeitantes a iniciativas a desenvolver no contexto comunitário.
Finger, M, Asún, José Manuel. (2003), A Educação de Adultos numa Encruzilhada. Aprender a nossa saída, Porto, Porto Editora.

PIRES, L. (2002). Educação e formação ao longo da vida: análise crítica dos sistemas e dispositivos de reconhecimento e validação de aprendizagens e de competências. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa.

Sem comentários:

Enviar um comentário