Relações intergeracionais, precisam-se!!!

Continuando a analisar as fragilidades da cidadania gostava também de lembrar a importância das relações intergeracionais e de como os grandes centros urbanos se têm constituído contraditórios a esta necessidade separando gerações em espaços sociais exclusivos e excludentes retirando assim ao relacionamento entre várias faixas etárias o espirito de participação e partilha, de saberes e de experiências, fundamentais à cidadania. 
De resto, destas cisões onde se ressalta, conforme Ferrigno o empobrecimento psicológico e cultural, visões e práticas preconceituosas, o enfraquecimento da troca de conhecimentos entre as diferentes gerações, o progressivo esvaziamento de papéis no envelhecimento, determinando no idoso um crescente isolamento ou o simples e solitário recolhimento ao espaço doméstico, vão materializando injustiças e desigualdades sociais que têm limitado as possibilidades de idosos de diferentes idades, sexos, regiões, niveis de escolaridade exercer a sua cidadania.
Assim, combater esta realidade, como aquilo que penso ser uma fragilidade à cidadania, obrigará certamente à implementação de políticas e propostas educacionais e culturais promotoras da aproximação de gerações,oportunizando o enriquecimento mútuo, a tolerância e a solidariedade.
É pois importante viabilizar a integração intergeracional através da saúde, educação e cultura, promovendo abordagens intergeracionais que potencializem o desenvolvimento da subjetividade, da autonomia e do exercício da cidadania das pessoas envolvidas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar social dos envolvidos, simultaneamente "desmontando" a ideia equívoca de que o tempo se restringe entre o que está para vir, associado ao jovens e crianças, o que já foi ( velhice) e o tempo que não se tem ( adultos).

Afinal em tempos que pedem partilha, de experiências e  saberes para que se aprenda e continue a aprender não poderemos deixar de intervir para que, aproximando gerações, se contribua para que diferentes pessoas, de diferentes gerações, aprendam ao longo da vida.

Ferrigno JC. Co-educação entre gerações: do conflito ao desenvolvimento da solidariedade. In: Papaléo Neto, Matheus. Tratado de gerontologia. 2a ed. rev. e ampl. São Paulo: Atheneu, 2007. p. 233-241. In Co-educação entre gerações: do conflito ao desenvolvimento da solidariedade. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsbf/v12n3/a15v12n3.pdf. Acedido em 15.05.04


O resumo fica nas palavras dum jovem estudante ao declarar "...  uma cultura sem precedentes (...) aprendi a ser mais tolerante, aprendi a dar mais aos outros"

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