Continuando a analisar as
fragilidades da cidadania gostava também de lembrar a importância das relações
intergeracionais e de como os grandes centros urbanos se têm constituído
contraditórios a esta necessidade separando gerações em espaços sociais
exclusivos e excludentes retirando assim ao relacionamento entre várias faixas
etárias o espirito de participação e partilha, de saberes e de experiências,
fundamentais à cidadania.
De resto, destas cisões onde se ressalta, conforme Ferrigno o
empobrecimento psicológico e cultural, visões e práticas preconceituosas,
o enfraquecimento da troca de conhecimentos entre as diferentes gerações, o
progressivo esvaziamento de papéis no envelhecimento, determinando no idoso um
crescente isolamento ou o simples e solitário recolhimento ao espaço doméstico,
vão materializando injustiças e desigualdades sociais que têm limitado as
possibilidades de idosos de diferentes idades, sexos, regiões, niveis de
escolaridade exercer a sua cidadania.
Assim, combater esta realidade, como aquilo que penso ser uma
fragilidade à cidadania, obrigará certamente à implementação de políticas
e propostas educacionais e culturais promotoras da aproximação de gerações,oportunizando o enriquecimento mútuo, a tolerância e
a solidariedade.
É pois importante viabilizar a integração
intergeracional através da saúde, educação e cultura, promovendo abordagens
intergeracionais que potencializem o desenvolvimento da subjetividade, da
autonomia e do exercício da cidadania das pessoas envolvidas, contribuindo para
a melhoria da qualidade de vida e do bem estar social dos envolvidos,
simultaneamente "desmontando" a ideia equívoca de que o tempo se
restringe entre o que está para vir, associado ao jovens e crianças, o que já
foi ( velhice) e o tempo que não se tem ( adultos).
Afinal em tempos que pedem partilha, de experiências e
saberes para que se aprenda e continue a aprender não poderemos deixar de
intervir para que, aproximando gerações, se contribua para que diferentes
pessoas, de diferentes gerações, aprendam ao longo da vida.
Ferrigno JC. Co-educação entre
gerações: do conflito ao desenvolvimento da solidariedade. In: Papaléo Neto,
Matheus. Tratado de gerontologia. 2a ed. rev. e ampl. São Paulo: Atheneu, 2007.
p. 233-241. In Co-educação entre gerações: do conflito ao desenvolvimento
da solidariedade. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsbf/v12n3/a15v12n3.pdf.
Acedido em 15.05.04
O resumo fica nas palavras dum jovem estudante ao declarar "... uma cultura sem precedentes (...) aprendi a ser mais tolerante, aprendi a dar mais aos outros"
Sem comentários:
Enviar um comentário