Nas sociedades democráticas, assiste-se atualmente a "uma perturbação do padrão de modus vivendi democrático (Pureza, 2001:14) que, segundo o mesmo autor só será colmata a partir da educação para a cidadania que requer uma escola redesenhada para a sua missão de ensinar, onde as suas estratégias passam por aumentar a qualidade e intensidade das relações, das autonomias pessoais e das responsabilidades coletivas.
São estas fragilidades, que o mesmo ( idem:13, 14) também considera como " novos fenómenos que atravessam hoje o quotidiano das nossas sociedades", apontando assim as seguintes:
1) os sinais de degradação da esfera pública e a tendência para a privatização dos bens e valores públicos;
2) a perceção dum afastamento dramático entre o fundamento comunitário do discurso democrático e a aceitação de níveis crescentes de exclusão dados como necessários pelos padrões de racionalidade (económica, social ou cultural) dominantes;
3) a difusão da noção de absoluta impotência dos regimes democráticos e das suas instituições diante da dimensão e da complexidade dos patamares de decisão globais;
4)o visível aumento do cepticismo sobre o sentido da participação na resolução de problemas coletivos;
5) o adormecimento das opiniões públicas crescentemente cloroformizadas pela banalização mediática;
6)os fenómenos de apatia cívica que transportam consigo um questionamento profundo do sentido e do alcance das regras, das instituições e dos procedimentos democráticos;
7)as transformações muito profundas da estrutura dos tecidos sociais destes países ( por exemplo, a acentuação da composição e natureza multiculturais das sociedades democráticas dos países da UE, com o inerente crescimento do número daqueles que não se identificam com aquelas regras, instituições procedimentos, nem com as suas memórias fundadoras.
É do facto da cidadania ser pensada de uma maneira, mas na prática vivida de outra que , na visão de Pureza (2001) que estas fragilidades são despoletadas.
E é também deste pressuposto que poderemos falar de áreas chaves das fragilidades da cidadania como propõe o mesmo autor (idem:16) "conceitos em transformação", apontando:
Cidadania: Identidade, valores, compromisso político e requisitos sociais;
Autonomia e identidade pessoal;
Direitos humanos;
Virtudes sociais e competências cívicas
E assim sendo, terão certamente neste meu espaço, outras páginas abertas à reflexão e discussão e livre opinião, acerca das fragilidades da cidadania
Pureza, J. (coord.) (2001) Educação para a Cidadania: Cursos Gerais e cursos tecnológicos- 2. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento do Ensino Secundário
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