O esforço e iniciativas que traduzem o estudo e a teorização do DL são relativamente recentes, com início a partir dos meados da década de 80, quando a então CE, agora UE, se viu obrigada a preocupar com o acelerado e significativo crescimento dos contingentes populacionais periféricos em praticamente todos os países a ela pertencentes ou em vistas de nela ingressar.
Isto acontece em razão de várias situações:
1) desmantelamento dos impérios coloniais europeus ( pelo minímo de forma formal e aparente!) que aconteceram em anos anteriores, em especial em África e grande parte da Ásia que originaram repatriamento de cidadãos metropolitanos nas ex-colónias bem como o acerto ou estabilização de cidadãos com dupla cidadania que haviam emigrado em busca da realização de sonhos sufocados pelo pesadelo do domínio colonizador;
2) A implosão do regime socialista na ex União Soviética que, por um lado permitiu a mobilidade demográfica mas por outro transformou os países desenvolvidos da região em centros de atração para encontrar melhor emprego e mais rendimentos;
3) e ainda as consequências da periferização refletidas na herança dos rescaldos migratórios da II guerra, pelos operários deslocados de Portugal, Espanha, Itália Egipto, até aos finais dos anos 60, entre outros.
Neste contexto histórico é que, segundo Carpio Martín (1999 apud ÁVILA, 2006a, p. 54), o DL foi entendido pelo Consejo Económico y Social-CES da União Europeia, em 1995, como " el proceso reactivador de la economía y dinamizador de la sociedad local, mediante el aprovechamiento eficiente de los recursos endógenos existentes en una determinada zona, capaz de estimular y diversificar su crecimiento económico, crear empleo y mejorar la calidad de vida de la comunidad local, siendo el resultado de un compromiso por el que se entiende el espacio como lugar de solidaridad activa [...].
Imagem obtida em www.google.com. Palavra -chave: solidariedade ativa
E o que é então esta solidariedade ativa, compromisso pelo qual se entende o espaço como local?; deixo-vos a minha opinião:
A nível nacional, regional e internacional vemo-nos "inundados" em solidariedade e, curiosamente, acontecendo sempre como atos ou sentimentos agendados... geralmente traduzidos em compensações para as lacunas de ordem social.Ora não será desta solidariedade demagógica, assente em ideias e projetos que têm quase sempre implicito o objetivo único de conquista de poder político que assenta a solidariedade ativa a que me quero referir.
Assim, será fundamentalmente uma troca de mais valias onde se devem acionar mecanismos de ação-participação e cooperação,tornados intervenção, diversificada e explorando sinergias, capazes de responder às necessidades duma sociedade em constante evolução, onde teimam e persistem assimetrias constituídas verdadeiras barreiras ao acompanhamento desse processo evolutivo, para e com todos os que dela fazem parte.
Esta solidariedade ativa será pois aquela que se baseia na força do lugar, do espaço, do território que será exatamente espaço de solidariedade ativa na cultura popular local; na articulação e uso de recursos naturais e sociais locais e também nas decisões políticas. Mas, concomitantemente é preciso que estas ações de participação, colaboração, cooperação dêem respostas que passem, entre outros aspetos, pela valorização das pessoas e dos seus saberes, da inclusão em todas as dimensões sociais e claro façam a negação de todos os fatores discriminatórios.
A solidariedade que seja capaz de promover o DL pela mobilização da população e coesão social, pelo reforço das vivências e recursos locais promotoras de atividades e emprego.
Uma solidariedade ativa que se traduza na cooperação entre todos os atores locais, através de acões organizadas e sinérgicas de cooperação que minimizem perdas e potencializem as forças sociais.
Uma solidariedade que aproximando espacialmente os atores favoreca a aprendizagem interativa que permite a construção do conhecimento e, ao coletivizar-se permanece no meio local e pode ser acessado por quem a esse meio pertencer.
É necessário "enriquecer" a solidariedade ou seja, torná-la mais do que a união de simpatias, interesses ou propósitos entre membros dum grupo, dum espaço, dum território; torná-la uma atividade de criação de valor social, realizada em esferas distintas como económica, educativa, social, por individuos e organizações, públicas e privadas onde todos possam exercer conciente e responsavelmente os seus direitos de participação e tomada de decisão democráticas, colocando-os assim como agentes da mudança, promotores do DL, sendo até capazes de o apresentarem como solução aos défices de cidadania por parte das instituições oficiais.

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