... ALV uma realidade incontornável !


A aprendizagem ao longo da vida assume-se como uma realidade incontornável. Na verdade, as transformações e as exigências das sociedades contemporâneas, a convergência de fatores (como o prolongamento da vida ativa, os cada vez mais ciclos de emprego/desemprego e ainda o facto dos mercados económicos se encontrarem sujeitos a crescentes níveis de concorrência e de competitividade) provocam nos indivíduos, seja qual for a idade, o nível de qualificação escolar ou situação profissional, a necessidade de adquirir, desenvolver e atualizar novos conhecimentos e novas competências. Num mercado de trabalho cada vez mais caracterizado pela instabilidade das relações contratuais, a aquisição de novas competências profissionais e a sua permanente atualização, através da participação em diversas ações de formação, constitui um fator crítico de valorização profissional e de empregabilidade, ou seja de capacidade de sobrevivência no mercado de trabalho. Ávila (205:150), tem vindo a insistir, por exemplo, “na necessidade de os principais contextos de atuação dos indivíduos, com particular destaque para o domínio profissional, solicitarem a utilização e mobilização de competências, sob pena de as mesmas poderem estagnar ou mesmo regredir”
Abrangendo toda a sua complexidade e dinâmica, o aprender ao longo da vida é, assim, perspetivado como construção social, como processo “contínuo ininterrupto” que considera a dimensão temporal da aprendizagem, do mesmo modo que considera a multiplicidade de espaços e de contextos (pessoais e profissionais) dessa aprendizagem. Os indivíduos são entendidos como atores principais desse processo e as suas vidas como as relações de sustentabilidade para o emergir da aprendizagem.
Em Portugal, tem-se assistido a um movimento de reforço das orientações das políticas públicas de educação e formação em direção aos princípios de aprendizagem ao longo da vida, de adaptabilidade e de flexibilidade. No nosso país, a formação e a qualificação continuam a ser um imperativo, mas com uma premência ainda maior, quer na ótica da adaptabilidade para a competitividade das empresas, quer na lógica da empregabilidade dos trabalhadores. São, inequivocamente, prioridades para a promoção da equidade e da justiça social, da participação cívica, da modernização das estruturas sociais e do desenvolvimento económico.
As reformas dos sistemas de educação e formação (entre os quais o português), quer ao nível dos mecanismos de motivação da procura, quer em termos do incremento das oportunidades de aprendizagem, têm vindo a evidenciar o desenvolvimento de sistemas de qualificação cada vez mais flexíveis. A introdução de maior flexibilidade no acesso às qualificações, na organização e no desenho dos seus percursos e na adequação, mais ajustada, às necessidades dos utilizadores, são características indissociáveis destes processos de reforma

Ávila, P. (2005). A Literacia dos Adultos: Competências-Chave na Sociedade do Conhecimento. Dissertação de Doutoramento em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa

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