Souta
(1999), Almeida (2006) e, Araújo & Pereira (s.d), opinam que em Portugal na década de
90 o “multiculturalismo adquiriu nas ultimas décadas importante popularidade enquanto
projecto político e enquanto principio filosófico orientador das políticas
sociais.” (Almeida, 2006: 1). Já, Araújo & Pereira (s.d: 14) consideram que
“a crescente diversidade étnica em Portugal tem sido acompanhada pela
desracialização ilegítima das políticas educativas”, porque não se preocupam
com os princípios de justiça social, podendo por vezes contribuir para acentuar
as desigualdades existentes.
Desta constatação prop~e-se benéfico promover políticas educativas ligadas a propostas com visão pluralista de justiça social
e, desenvolver-se práticas associativas que fortaleçam as comunidades étnicas
minoritárias. Conforme Araújo & Pereira (s.d), a sociedade civil, deve organizar-se e exigir uma participação efetiva nos órgãos de decisão relacionados
com a escola, através de canais de decisão que permitam a representação destas
comunidades. A escola deverá ser um lugar privilegiado, para a construção de
identidades, a partir do respeito pelas diferenças étnicas, oferecendo assim
condições para que os indivíduos de origens minoritárias possam competir em
condições igualitárias.
Para os mesmos autores (Araújo
& Pereira, s.d), a justiça social só é possível a partir de uma noção de
cidadania que inclua a interculturalidade e que garanta os direitos de
participação nas decisões que nos vinculam a todos, isto é, uma cidadania
“pensada para além da sua dimensão pré-política e basear-se na garantia das
diferentes tradições culturais, na eliminação das desigualdades económicas, e
na garantia dos direitos políticos, sociais e civis.” (Araújo & Pereira,
s.d :14).
Há que se traçar e percorrer caminhos conducentes à tolerância, à igualdade, à
iniciativa, à cooperação, à solidariedade, (…), ou seja, abraçar
políticas com base no “fazer local, pensando global” possibilitando uma sociedade plural, cívica e democrática, onde coabite a coesão
social, gerada pela inclusão de todos os indivíduos. Porque a coesão social é um dos pilares do Desenvolvimento sustentável
Almeida,
J. (2006). A
Escola e a Diversidade Cultural Algumas Notas sobre a Educação multicultural em
Portugal. Education
Policy Analysis Archives/Archivos Analíticos de Políticas Educativas, vol. 14,
2006, pp. 1-18
Araújo, M. & Pereira, M.
(s.d). Interculturalidade e políticas educativas em Portugal:
reflexões à luz de uma versão pluralista de justiça social. Coimbra:
Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra.
Souta, L. (1999). Educação Multicultural - do imperativo social à
ausência de políticas. Revista a Página da Educação. N.º 77,Ano 8, Fevereiro 1999.

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