Parece-me relevante referir que a evolução da EA não se processou de igual forma em todas as regiões do globo. As condições de desenvolvimento económico e a estabilidade política influenciaram, e influenciam sempre, fortemente os investimentos que os Estados fazem ou não na educação. Consequentemente, o estado de desenvolvimento da educação de adultos, no Mundo, é diverso e há que vê-lo e entendê-lo à luz do contexto económico, social e político de cada país. Isto afigura desde logo as grandes assimetrias entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento.
Da mesma maneira faz denotar a intensificação com as preocupações políticas à volta da EA, dada a necessidade de educar as classes trabalhadoras, acentuando-se igualmente, com o desenvolvimento da sociedade industrializada, a conscientização da urgência de estender a todos o acesso ao código escrito. Podemos então assim compreender que a emergência dos movimentos de educação de adultos tem como principal objetivo dar aos adultos competências básicas de leitura e escrita. Nessa altura os movimentos sindicais e religiosos assumem um papel de relevo na implementação de iniciativas de educação de adultos que tem como objetivo fundamental a alfabetização das populações especialmente das classes trabalhadoras.
Fica assim clara, na minha opinião, a relevância dentro da sua trajetória de duas conceções distintas de EA:
Numa primeira fase a educação de adultos é encarada como um instrumento, individual e coletivo, que permite o acesso a melhores condições de vida e ao crescimento económico, através de melhores possibilidades de acesso ao mercado de trabalho para os indivíduos e que, no âmbito social, permite um mais rápido crescimento e complexificação dos sitemas produtivos.
Numa fase posterior, a educação de adultos começa a ser concetualizada como um direito dos cidadãos e é entendida como condição necessária à evolução das sociedades modernas e democráticas. Mas, agora, não só numa perspetiva economicista, e portanto quantitativa, de maior produtividade e crescente rendimento, mas antes numa perspetiva qualitativa de maior qualidade de vida dos indivíduos e dos povos. A educação vista como um direito carateriza os discursos políticos internacionais da área da EA, principalmente a partir da segunda metade do séc. XX e, para o quais muito contribuíram as conferências internacionais promovidas pela Unesco, para esta finalidade.
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