... Porque hoje criança, amanhã adulto!
O primeiro impacto desse título poderá conduzir intempestivamente a que se pergunte: mas, como relacionar Educação Escolar
com DL, se, por um lado, as escolas já estão abarrotadas de que
fazer e, por outro, mesmo as quantidade e qualidade do que se
faz vêm sendo constantemente questionado pela sociedade?
De fato, a pergunta tem razão de ser, mas, segundo Áviula (2003) mesmo assim, ainda há alternativa praticamente inexplorada e disponível
para a direta vinculação operacional entre Educação Escolar e Desenvolvimento
Local, a da metodologia.
Apesar dos muitos progressos que já se fazem sentir, na realidade, pela metodologia tradicional, o máximo
que se pode fazer é usar a Educação Escolar para campanhas
ou movimentos de sensibilização e motivação sobre DL ,a exemplo do que já se faz em relação à saúde, à higiene, à não
discriminação racial, etc . Isso, porque,
pela tradicional metodologia escolar, são focados diretamente
conteúdos , resumidos em fórmulas ou
outras combinações lógicas de sinais e símbolos de compreensão,
armazenamento e comunicação, tendo o aluno de, desconectado
das realidades que representam, fazer o esforço titânico de aprendizagem por virtuais reconstituições dessas conexões,
mediante explicações, ilustrações, muitas comparações, diversas
associações, e assim por diante.
Mas há, segundo o mesmo autor outra opção metodológica possível, a de aprendizagem por interambientalização, pela qual os
conteúdos escolares devem começar a ser tratados desde a Educação Pré-Escolar, em conexão direta com as reais lógicas
e expressões dos fenómenos básicos, no sentido do concreto
para o abstrato e a partir dos contextos meio-ambientais em que
se situam cada escola e respectivos educandos. Isso, até que
os educandos formem lastro cognitivo capaz de mantê-los em voos mais altos, em todos os acervos de conhecimento.
Assim esta alternativa vai-se intercomplementando com as teorias construtivistas de Piaget (construtivismo psicogenético) e de Vygotsky (a socio interacionista) não deixando passar ao lado os tempos aristotélicos em que nada chegava à inteligència sem que tivesse passado pelos sentidos...
Ou seja, todos os elos
iniciais, geradores de conhecimento, resultaram e continuam resultando de interatividades da mente ou
inteligência humana com os respectivos objetos de conhecimento,
sempre pela mediação dos sentidos e as suas extensões sensoriais, hoje já exponencialmente ampliadas pela humana inventividade
científica e tecnológica.
Isto vai certamente ao encontro desta alternativa metodológica como forma de impregnar de dinamismos endogeneizadores de DL a Educação Escolar, logo desde o Pré-Escolar, por diferentes razões:
1) a primordial porque toda e qualquer ciência (não
importando se matemática, geografia, história, biologia, química,
física, etc.), inclusive as curriculares da Educação Básica e da
Educação Superior, é a de procurar entender as respectivas lógicas
e significações passadas, presentes e futuras das realidades,
por elas expressas ou representadas em todas as dimensões da
natureza e do universo;
2) depois porque também todos e cada um de nós pisamos, respiramos,
comemos, degustamos, tocamos, cheiramos, vemos e ouvimos,
isto é, vivenciamos e experimentamos, em todos os instantes e
contextos locais da nossa existência, aspectos e pontos concretos
dessas realidades, que as correspondentes ciências incessantemente
procuram entender, representar e até tirar proveito
por constantes iniciativas de aplicabilidade dos conhecimentos
que delas se auferem.
Ávila (2003) questiona porque não inverter a orientação metodológica do enaltecimento das nossas sucessivas gerações em áreas e correspondentes domínios científicos de forma a que se parta das próprias e naturais lógicas -matemáticas,
geográficas, ecológicas, biológicas,
históricas, químicas, físicas, etc.,- da realidade (isto é, da cozinha, do quarto, do quintal, da rua, do saneamento,
da igreja, da farmácia, do pátio, do supermercado, do curral, da vegetação, do relevo topográfico, da cidade, do
povoado, da família, etc.),
para depois, num fase mais avançada do ensino básico e daí em diante sempre que houver abordagem de
novos conteúdos científicos começar a chegar-se efetivamente
às respectivas fórmulas e expressões científicas da matemática,
da geografia, da ecologia, da biologia, da história, da química, da
física, etc., inclusive as semiotizadas nos livros e outros materiais
de apoio didático escolar?
Na verdade, esta dinâmica metodológica pode e deve começar
já nos âmbitos familiares, antes mesmo do ingresso dos filhos na
escola. Mas a questão é que a escolaridade dos adultos não os
prepara para esse tipo de interação com suas tenras crianças e as suas próprias realidades meio-ambientais de vivências quotidianas.
Por isso, as próprias políticas educacionais devem considerar, também, a necessidade
dessa preparação, inclusive psico-pedagogicamente
subsidiada.
Se isso de facto acontecer, as nossas gerações não apenas melhorarão relativamente às aprendizagens científicas e técnicas,
como começarão a conhecer, avaliar e valorizar as
condições e potencialidades humanas, sociais, materiais, económicas,
culturais, etc., dos seus próprios meios de vivência.
E isso é
também de extrema e fundamental importância para o impulsionamento do endógeno e emancipatório Desenvolvimento Local.
Já agora, vale a pena pensar nisto...
Ávila, V. F. Educação escolar e desenvolvimento local: realidade e abstrações no currículo. Brasília: Plano, 2003.
Ávila,V.F. & all (2001) Formação educacional em desenvolvimento local: relato de estudo em grupo e análise de conceitos. 2.ed. Campo Grande:UCDB, disponível em http://www.desenvolvimentolocalvfa.com.br/?cat=3, acedido em 2015.03.26






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