Acredito pertinente a construção duma escola democrática fundamentada na possibilidade de se conseguir uma instância educativa que seja capaz de favorecer e orientar para o desenvolvimento da pessoa na sua plenitude o que implica contemplar a aquisição, compreensão, operacionalização e desenvolvimento de conhecimentos necessários ao acompanhamento do "mundo em mudança" ( Delors et al, 1996:77) e assim tornar-se também ator social enquanto construtor e produtor de mudanças contributivas para a transformação da realidade social em que se insere.
A construção de que falamos deve então basear-se numa educação crítica que pressuponha a participação ativa, a discussão, o diálogo assente no princípio referido por Lima (2003:34) " aprender a democracia pela prática da participação" e isso tem implícito que os sujeitos sejam capazes de preconizar transformações sociais e que, com competência realizem projetos comuns conseguidos, quer pela interdependência, quer pela procura incessante da compreensão pelo outro, bem como de sujeitos que seguindo a linha de John Deway e conforme Sebarroja (2001:105) compreendam a democracia acima de tudo como "uma forma de vida e um processo permanente de libertação da intelig~encia e não um regime de governo".
Numa perspetiva individual, para a educação de sujeitos capazes de produzir pensamento crítico e agir a+pós refletir, traduz-se na educação na e para a democracia o que torna conveniente atender ao pensamento de Delors et al (1996), presente na obra Educação um tesouro a descobrir, mais concretamente no Cap. IV " os 4 pilares da educação" onde se defende que, perante as actuais exigências sociais, a educação deve organizar-se em torno de 4 aprendizagens fundamentais e estruturantes: aprender a conhecer, a fazer, a viver em comum e aprender a ser", com tudo o que cada uma destas aprendizagens compreende.
Relativamente à interdependência e compreensão do outro, segundo Delors et al (1996) estas tornam possível realizar projetos comuns e preparar os indivíduos para gerir conflitos no respeito pelos valores do "pluralismo, compreensão mútua e paz" (p.88, sendo o "confronto através do diálogo, e da troca de razão um dos instrumentos indispensáveis á educação do século XXI (p.85). É por isso crucial aprender a ser para melhor desenvolver a personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal, sendo de realçar que "importa conceber a educação como um todo" (p.88) para que todo e qualquer interveniente se assuma como responsável e sujeito ativo na procura da construção de um mundo mais democrático.
É também ainda Lima (2003:39), a propósito de escola, cidadania e democracia que refere (cap. II da obra , no âmbito da democratização da escola, participação comunitária e cidadania crítica) que a escola é "uma estrutura democratizante" e que, enquanto espaço público se quer de decisão crítica, participação e cidadania democráticas, concretizada segundo Freire (1989) na real participação dos pais, professores e da comunidade na vida da escola uma vez que " só se decidindo se aprende a decidir e só pela decisão se alcança a autonomia" (Freires, 1991, cit. em Lima, 2000).
Imagem disponível em www.google.com (imagens). palavras-chave: escola, construção
Lima (2000)concebe a escola democrática como tendo de ser capaz de enfrentar o risco de se abrir à participação comunitária, para, dessa forma, concretizar o exercício da cidadania crítica uma vez que, construir uma escola democrática só é possível em co-construção, assumindo-se contra a centralização das tomadas de decisão a favor da promoção do seu potencial de intervenção social e cívica o que implica, naturalmente, entender a necessidade de se redescobrir, partilhar, desenvolver e transferir poder afim de que a democracia se concretize. Isto, para Freire (1994 cit em Lima 2000) é dizer que democratizar a escola só é possível se se entender a democracia na escola como "invenção social" o que significa uma construção coletiva caraterizada por um amplo processo participativo nas decisões e ações.
Corroboro assim com Lima (220:44) quando refere que "só se muda a escola com a participação de todos" demonstrando assim que a co-responsabilização está enraizada na procura da construção duma escola democrática espelhada na ideia de "ensinar e aprender a decidir através da prática de decisões (p.91), redistribuindo-se poderes de decisão a par duma " estruturação democrática de regras e relações sociais de interdependência e diálogo (p.101)
Atendendo a que ter objetivos confere à educação, conforme (Freire, 19916, cit, em Lima 2000), uma forma de intervir no mundo, a escola democrática deve ter como objetivo a democracia enquanto prática de cidadania, autonomia e participação ativa, recorrendo a métodos como a discussão, o diálogo e a co-responsabilização. Ora, isto significa dizer que a escola democrática tem como um dos princípios fundamentais a democracia participativa, o que traduz o respeito e a crença em cada sujeito considerado como igual, com igual capacidade crítica e com igual possibilidade de transformar a realidade em benefício de todos.
Assim, as escolas assumidas como espaços de educação crítica, de participação e de cidadania democráticas, dentro das suas limitações e potencialidades podem participar, à sua maneira, na construção da democracia como "prática e não apenas como método" (Torres, 1194:190 cit. em Lima 2000)
Delors, J. et al (1996) Educação- Um tesouro a descobrir. Porto: Edições Asa in Cabral, A. A construção da escola democrática. uma reflexão com base em Jacques Delors et al, Licínio Lima E Carbonell Sebarroja. Revista Lusófona de Educação, 9, 2007, pp 181 a 185
Lima, L (2000) Organização escolar e democracia radical: paulo Freire e a governação democrática da escola pública. São paulo: Cortez Editora. In Cabral, A A construção da escola democrática. Uma reflexão com base em jacques Delors et all, Licínio Lima e Carbonell Sebarroja. Revista Lusófona da educação, 9, 2007, pp181 a 185
Sebarroja,J. (2001) A aventura de inovar. A mudança na escola. Porto: Porto Editora. In Cabral, A A construção da escola democrática. Uma reflexão com base em jacques Delors et all, Licínio Lima e Carbonell Sebarroja. Revista Lusófona da educação, 9, 2007, pp181 a 185

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