Políticas de Educação de Adultos em contexto internacional

A Educação de Adultos é tida actualmente com um processo organizado/intencional e está a aumentar o interesse a todos os níveis populacionais ao longo das suas vidas tendo-se tornado uma realidade com o advento da sociedade industrial.Foi na Noruega que primeiro surgiram medidas direccionadas para este tipo de educação, durante a primeira metade do século XVIII.
 No final da primeira metade do século XIX deu-se início aos primeiros estudos históricos  da Educação de Adultos no Reino Unido, uma prática que fora exportada além mar, muito antes da independência dos Estados Unidos,onde ocorreu uma transferência legislativa (final da era Elizabetiana).
Em Espanha e noutros países da Europa Mediterrânica, só no século XIX se registaram as primeiras manifestações. De facto a Educação de Adultos só viria a vingar a sério durante o período em que se fez sentir mais intensamente a revolução industrial. Consta que emergiu de dois movimentos paralelos:
1- Interesse industrial burguês em ter trabalho manual disponível, com capacidade de participação numa actividade produtiva submetida ao constante progresso.
2- Emergente interesse das classes laborais em dirigir as novas condições/possibilidades de formação, trazidas pelo processo de produção na sua própria emancipação/interesse em ultrapassar as divisões sociais do trabalho. 
A estes dois movimentos, outro aspecto se pode juntar -  tendência de desenvolvimento, trazida pelas classes sociais emergentes, que em conjunto se reunem em redor do processo de criação de novos estados. Também é de salientar tendências viradas para a formação como um modo de acesso à unificação nacional e, em simultâneo reforçar as novas classes governativas. 
No virar do século XVIII e XIX, a totalidade dos países da Europa industrializada origina o aumento da fundação de novas escolas de formação profissional (Adultos ou Jovens trabalhadores) - Cursos revolucionários promovidos em Paris pelos operários armeiros formadores no ano II sob a convenção de Montagnard.
- As escolas agrícolas promovidas pelo Marquês Ridolfi (1º décadas do século XIX).
- Cursos nocturnos e de Domingo dirigido ás mulheres operárias do Massachussetts, promovidas pela companhia têxtil Lowell&Waltham a partir do começo de 1820.
- Fundação de escolas pela companhia alemã, Krupp.
Ela manifestara-se também mediante a difusão de formas mútuas/solidariedade educativa (em Itália e diversos países da Europa por meio de sociedades de ajuda Mutua ou das bolsas de trabalho) e em simultâneo, pelo surgimento de actividades educativas populares inspiradas, na Dinamarca e em outros países escandinavos nos princípios da folkeoplysing, os quais foram definidas pelo bispo protestante Groundfing e seus discípulos.
Finais do séc. XIX, começo do séc. XX, a intervenção pública de forma indirecta (em 1º plano), depois de modo directo, incluindo entre outras, o domínio da educação permanente. Tais intervenções destinam-se fundamentalmente, ao controlo da gestão de actividades de formação escolar/profissional, destinadas a jovens adultos.
Verificou-se uma certa estagnação ao romper das duas guerras Mundiais, no que respeita ás práticas e orientações de formação, contudo, são os governos ditatoriais que as irão intensificar.
Todavia, foi logo nos anos a seguir à primeira guerra mundial (1919) que apareceu o termo "lifelong education" documento oficial britânico. Também a legislação da união soviética (um ano antes) afirma o propósito de garantir aos trabalhadores o efectivo acesso ao conhecimento, bem como o dever de "assegurar aos trabalhadores/camponeses uma instrução totalmente grátis e universal".
Esta ideia moderna de Educação de Adultos, já havia despoletado na Europa Ocidental (anos 30) - período de acertos teórico práticos, com a experiência histórica da frente popular francesa. Este movimento político (intelectuais/trabalhadores), opõe-se ao nazismo/fascismo. Esta revolta, tem como objectivos a oposição à prática  de transmissão de conteúdos e valores culturais pré-estabelecidos. Assim, opunham-se à educação popular, isto é à ideia de treino mental (reforço da musculatura mental dos trabalhadores) porque lhes permitia responder às "ideias recebidas".
Foram estes, os pressupostos que guiaram a ideia de educação permanente, que Arentz e Legrand, vieram a sugerir nos anos 50, totalmente liberta das hipóteses de "continuidade cultural" ou de "escola permanente".
A partir dos anos 60, observou-se uma permanente etapa de crescimento no campo educativo. Torna-se no entanto objecto de confronto entre os diversos interesses. Entra então em crise, o modelo focalizado na escola, enquanto momento essencial educativo do individuo, concentrado numa só fase da vida das pessoas. Enquanto isso, assiste-se à explosão de necessidades de formação, tanto mediante expressão dos indivíduos assim como, pelo sistema económico, que cada vez mais, se baseia no conteúdo do saber dos produtos.
Estes factores, conduziram a intensas reformas e intervenções políticas, visando a criação de diferentes condições formativas/novos sistemas.
A formação prende-se, com um sem numero de implicações, nos mais diversos campos: políticos, económicos, sociais, do trabalho, da saúde, entre outros. Como tal, os governantes/sindicatos, organizações sociais revelam interesse neste campo.
Sindicatos/movimentos sindicais a nível mundial, avançam no sentido de novas exigências no campo especifico da educação. Desde então, o direito ao acesso em termos educacionais e à cultura, torna-se um tema comum em todos os países, a partir dos anos 60. 
É aprovada a Convenção nº140 em 1974, pelo Gabinete Internacional do Trabalho, a qual propunha a introdução, a nível global ao direito dos empregados disporem de tempo para formação, em virtude de estudos pagos. 
As acções dos governos, começam a intensificar-se, especialmente nos países mais industrializados.
Dá-se a revolta dos estudantes de Berkley em, Maio de 1968. Todavia, antes fora lançado um vasto programa em favor da "reciclagem profissional", pelo presidente dos Estados Unidos, Johnson, em conjunto com o apoio do Governo Federal.
A Suécia, foi o país que em primeiro lugar criou um sistema educativo recorrente, iniciativa do Primeiro Ministro Olof Palme. Este, passou a vigorar a partir de 1968, visando possibilitar o retorno à educação de modo bastante amplificado. Não obstante, as crises fiscais e de segurança social, tais iniciativas, prolongaram-se (anos 80/90) não apenas, na Europa do Norte, mas também, em todos os países desenvolvidos do Mundo - Estados Unidos, Austrália, Canadá.
Todavia, foi o Japão que desde 1990 veio a intervir, mais decisivamente, ao reformular, na globalidade o sistema Educativo na óptica da aprendizagem ao longo da vida
Esta reforma, teria como fundamento integrar as diferentes oportunidades formativas, essencialmente de ordem não escolástica.

Federighi P. e Melo A., 1999. Glossário de Educação de Adultos na Europa. A.E. Monografias EAEA. Lisboa.




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