Definindo Desenvolvimento Local

À luz da Europa, o Comitê Económico e Social das Comunidades Europeias concebe o desenvolvimento local como um processo de reativação da economia e de dinamização de uma sociedade local, com base no aproveitamento ótimo dos recursos endógenos, objetivando o crescimento da economia, a criação de emprego e a melhoria da qualidade de vida.

O conceito de desenvolvimento local representa uma estratégia que deve garantir para o território em questão – seja comunidade, município ou microrregião – uma melhoria das condições sócio-económicas a médio e longo prazo. De caráter, fundamentalmente endógeno, este conceito procura um processo sustentável de aproveitamento das oportunidades e capacidades locais, pressupondo a participação de todos os atores sociais e económicos, públicos e privados. 
Assim sendo o Desenvolvimento local é fundamento pela necessidade de existir pessoas nos seus territórios com capacidade de iniciativa e proposta sócio-económica para tirar proveito das potencialidades locais, apostando numa melhoria da qualidade de vida da população. 

Já na opinião de diversos autores muitas são as definições de Desenvolvimento Local . Deixo-vos aqui com diferentes perspectivas que nos dão, cada uma à sua maneira, a necessidade de pensarmos o Desenvolvimento Local: 

O processo de desenvolvimento local implica uma visão comum, articulando as iniciativas de dimensões económica, social, cultural, política e ambiental. “O desenvolvimento local (DL) é antes de mais uma vontade comum de melhorar o quotidiano; essa vontade é feita de confiança nos recursos próprios e na capacidade de os combinar de forma racional para a construção de um melhor futuro” (Melo, 1998:5). Já Alberto de Melo e Priscila Soares (1994,(pp.29/30).) entendem-no assim: "(...) o desenvolvimento local é, antes de mais, uma vontade comum de melhorar o quotidiano; essa vontade é feita de confiança nos recursos próprios e na capacidade de os combinar de forma racional para a construção de um melhor futuro. É aquilo a que se chama frequentemente a "cultura de desenvolvimento": a situação atingida por uma população ao sentir-se e ao capacitar-se para analisar os problemas atuais, para pôr em equação necessidades e recursos, para conceber projetos de melhoria integrando as dimensões de espaço e de tempo e para, enfim, abranger com esses projetos finalidades de desenvolvimento global-pessoa como coletivo-económico, cultural, sociopolítico"

Villar (2004, pp. 10, 23) refere que o DL é uma estratégia de desenvolvimento que assenta na participação coletiva e na parceria entre iniciativa da cidadania organizada e programas públicos, integrando áreas dispersas e buscando articulações entre diversas ações já existentes na comunidade. 

Na óptica de Sachs,(2000, p. 72) o desenvolvimento local, enquanto transformação social, acontece de acordo com o contexto social, económico, tecnológico e em função dos atores, direta e indiretamente envolvidos no processo, nomeadamente públicos, privados, locais e globais ; Este sustenta ainda que o desenvolvimento, enquanto projeto político, nasce com a modernidade e expande-se graças às conceções universalistas do projeto moderno, nomeadamente os modelos de Estado, de Nação, de articulação entre o público e o privado, da cooperação 44 internacional e de gestão das relações económicas. Ao pretender ser universal, o desenvolvimento e as suas variações tendem a menosprezar os contextos geográficos, os tempos históricos e a diversidade das culturas. Na lógica do autor, o DL aparece como resposta alternativa à falsa universalidade das fórmulas do desenvolvimento, veiculadas pela cooperação internacional e suas agências. Em sua opinião, o DL é endógeno, territorial e culturalmente enraizado; é projeto-polítco bem como construção de estratégias de transformação social a partir dos recursos e dos atores mobilizados no contexto local. 

Para Paula(2008, pp. 8-9) o DL difere segundo a perceção dos atores, o contexto, as várias expressões da cultura, que informam e influenciam o modo de organização desses atores relativamente ao contexto em que se inserem .

Segundo Barros & Moreira (2013), a educação de adultos, devido às suas potencialidades, isto é, devido ao seu carater interventivo, no que respeitra ao desenvolvimento de competências/conhecimentos ecológicos/sustentáveis, de promoção da democracia, da justiça e da equidade e, cientificos, sociais e culturais, conduz ao desenvolvimento local. Para os autores, o DL corresponde a uma aprendizagem coletiva, isto é, a processo educativo, porque a educação é um eixo estruturante no processo de desenvolvimento de uma sociedade.

Monteiro (2011), citado por Barros & Moreira (2013:70), refere que o DL "resulta da participação da comunidade no processo de desenvolvimento, pela responsabilização coletiva e conciencialização" . Desta forma, os autores, ainda referem que quando há partipação coletiva ativa e efetiva, ocorre um a mudança nessa sociedade, que conduz a uma transformação social.

Reis (1998b) considera o desenvolvimento local como "um impulso generoso, de carácter local e endógeno, assente na mobilização voluntária, cujo objectivo é originar acções com as quais se produzem sinergias entre agentes, tendo em vista qualificar os meios de vida e assegurar bem-estar social". 

Segundo Roque Amaro (2004) o Desenvolvimento Local apresenta-se como um sistema de mudança com base na comunidade e impacto sobre a mesma. Implica uma participação ativa na resolução de necessidades constatadas localmente e com os recursos da comunidade local e através de uma lógica de parceria constroém-se respostas integradas


Imagem  "Saberes e Afazeres"disponível em http://www.cm-pesoregua.pt/

Numa abordagem muito pessoal deixo-vos então aquilo que entendo por Desenvolvimento Local, tendo como base as diversas leituras efetuadas sobre esta temática: 

Cada um de nós enquanto cidadãos, iguais entre iguais, tem direito a uma vida digna bem como o acesso a outros direitos como saúde, educação, qualidade e oportunidade de trabalho, entre outros. Estas conquistas, entre outras, devem ser construídas na melhoria contínua da qualidade de vida dum espaço/território, pelos seus habitantes podendo assim, dessa forma, traduzir também sinónimo de bem-estar. É neste processo de conquista, construção e mudança que, duma forma simples chamo Desenvolvimento Local e cuja promoção se efetua na implementação de ações , nesses territórios, que permitam a participação ativa dos cidadãos, o controle social e efetivo sobre a gestão pública através do fortalecimento da sociedade civil e a participação de grupos sociais antes marginalizados, nas tomadas de decisão. 

Não me é assim dificil associar a DL o combate a assimetrias o que, explica que a sua prática seja conducente à inclusão social,de resto considerada a essencia do DL; ao fortalecimento e diversificação da economia local; à inovação da gestão pública; à proteção ambiental e uso disciplinado dos recursos naturais e à mobilização social.

Como que seguindo as analogias de Ávila, a espinha dorsal do DL é a solidariedade, e o seu sangue e respirar a Educação. 

Referências Bibliográficas:
Amaro R.R. (2004) A Animar Nos Caminhos e Desafios do Desenvolvimento Local em Portugal, Contributo para a His tória do Desenvolvimento Local em Portugal, Animar, consulta em http://www.zoom.org.pt/equalificacao/src_cdroms/novos_conceitos_praticas/recursos_complementares/Livro_Animar.pdf 
Ávila, V.F. (2000). Pressupostos para a formação educacional em desenvolvimento local. Interações: Revista Internacional de Desenvolvimento Local , pp 63-75. Campo-Grande. MS: UCDB.
Ávila, V. Dupla relação entre educação e desenvolvimento local (endógeno-emancipatório). Revista paideia nº 12. 2012 
Barros, R.& Moreira, J. (2013). Bem estar subjetivo e Educação de Adultos. Santo Tirso:Whitebooks. Melo, Alberto (1998). Ditos e Reditos em Torno do Desenvolvimento Local. A REDE. Novembro, pp. 5-8.  

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