Ousadia,utopia? Interesse, pertinência?... a trajetória que aponto possível para a EA


Entendo a Educação Popular, enquanto forma de intervenção comunitária como uma das trajetórias para a EA porquanto visa melhorar a qualidade de vida das comunidades, tendo nela implícito o associativismo e a busca de interesses comuns.
Assim,  justifico também a minha opção pois, falar de educação popular, segundo Martinez (1997) é entendê-la como forma de promoção humana, que unida ao desenvolvimento local, incide sobre os sectores populares de uma população de forma a que eles sejam, simultaneamente, os gestores e os beneficiários diretos dessa mesma educação. A educação popular constitui-se assim como uma cultura alternativa que descobre e dá valor à vida pessoal e social através de princípios ativos de relação, organização e convivência humana, que toca questões educativas, mas também económicas, políticas e culturais, que tornam possível enraizar a acção educativa numa comunidade, com vista à procura de soluções alternativas para os seus problemas, tanto pessoais como coletivos.
Tal como Martinez (1997) também Lúcio- Villegas (2005), , referem que a educação popular utiliza os tempos de lazer para suscitar, promover e difundir ideias, hábitos e modelos de acusação, estimulação e ação que impulsionem a confiança dos grupos mais excluídos da sociedade, fomentando a sua participação e integração. Assim, pretende, através do acto educativo, dotar as classes populares de ferramentas que lhes permitam ter a capacidade de acompanhar as exigências da sociedade em que vivem. Villegas (2005) visa-a ainda como uma proposta educativa libertadora uma vez que supera as diferenças entre educando e educador propiciando aos seus participantes a capacidade de serem ativos no seu próprio processo de aprendizagem. No entanto esta visão libertadora e de participação remete-nos também para Freire (2003) quando referiu que a existência, porque humana, não pode ser muda, silenciosa, devendo nutrir-se de palavras verdadeiras com que os homens sejam capazes de pronunciar e transformar o mundo; justificando então  que “os homens se fazem na palavra, no trabalho, na ação reflexiva” (Freire, 2003:78) o que, desta forma justifica a ajuda que a educação popular dá aos homens , na compreensão de que as suas necessidades  podem ser satisfeitas à medida que o grupo se torna mais coeso, mais solidário e mais reflexivo , dando oportunidade a que também assim possam dimensionar as suas próprias potencialidades e limites.
No entanto, destacando a educação popular como trajetória possível para a EA não posso deixar de enfatizar que esta se expressa através da educação comunitária a qual, segundo Gadotti (1993) se preocupa “específicamente, mas não exclusivamente, com os sectores excluídos da sociedade . . . na busca de melhoria da qualidade de vida” (p. 11), podendo actuar em diversos contextos (escolas, organizações económicas, microempresas, cooperativas, movimentos populares e sociais, etc.), uma vez que nela “associa o produtivo, o organizativo e o educativo” (p. 13). Assim, ela “se fundamenta no reconhecimento da diversidade cultural, na economia popular, na multiculturalidade, no desenvolvimento da autonomia de pessoas, grupos e instituições e na promoção da cidadania” (Gadotti & Gutiérrez, 1993, p. 8).
Penso por isso fundamental que quaisquer trajetórias tenham como preocupação fundamental a participação,; essa que eduque ao propiciar níveis cada vez mais elevados de consciência e organicidade uma vez que a participação orgânica e consciente dum grupo comunitário produzirá ações concretas de transformação social e, dessa forma, influi direta ou indiretamente na transformação da realidade (Gutierrez, 1993:27)
Freire, P. (2003). Pedagogia do Oprimido. Brasil: Editora Paz e Terra
Gadotti, M. (1993). Educação Comunitária e Economia Popular. In Moacir Gadotti & Francisco Gutiérrez (Orgs.), Educação Comunitária e Economia Popular (pp. 11-22). São Paulo: Cortez Editora.
Gutiérrez, F. (1993). Educação Comunitária e Desenvolvimento Sócio-político. In Moacir Gadotti & Francisco Gutiérrez (Orgs.), Educação Comunitária e Economia Popular (pp. 23-33). São Paulo: Cortez Editora
Lucio-Villegas, E. (2005). Cuestiones sobre educación de personas adultas. Sevilha: Tabulador Gráfico
Martínez, M. (1997). La Acción Educativa como proyecto Cultural y Social. Málaga: Ediciones Aljibe.

Sem comentários:

Enviar um comentário