O conceito de Educação de Adultos e os que à volta dele gravitam...


Antes de abordar o conceito de EA propriamente dito, achei pertinente remontar ao séc. XIX , altura em que nasce a ideia de aprendizagem, através dos primeiros movimentos que, não só advogam como promovem a Educação de Adfultos em ambientes não escolares, dedicados à nova classe trabalhadora industrial e, cujos principais objetivos assentaram em razões "de natureza cultural", social e indiretamente política" (Kallen, 1996 citado em Sitoe, R. 2006), facto que lhes abre acesso à cultura e ao conhecimento criando assim novos movimentos de "educação popular" e "educação dos trabalhadores"  onde, emergiram então palavras de ordem como "poder cultural, cultura democrática e popular", "emancipação social e cultural" e "novo humanismo".

Ficou da época a ideia de um certo afastamento da aprendizagem à adaptação ao trabalho e aos objetivos  a ele ligados bem como a distância da educação formal, dando apenas pontualmente algum relevo à EA, através de atividades ditas educativas, uma vez que apenas " ensaiavam" a prática dos indivíduos relativamente às competências básicas traduzidas no ler, escrever e contar; estas não seriam certamente quer complemento da educação e formação inicial, quer do conceito abrangente de educação. 

O pós guerra trouxe pela mão do Conselho da Europa, da Unesco e da OCDE os 3 principais paradigmas da ALV que, foram a linha mestra da filosofia dominante. Assim, por volta dos anos 70 foi introduzido pelo CE um conceito "fundamentalmente novo e abrangente...", o de Educação Permanente, padrão global de educação para que jovens e adultos fizessem frente às individuais, novas e diversificadas necessidades emergentes da educação da nova sociedade europeia.

Em 1972, a Unesco dinamiza a EA com base no relatório "Learning to be" que já havia sido precedeido por "An introduction to lifelong learning" onde foram lançadas bases concetuais e preparada uma nova e abrangente política que inspirou e orientou o programa educativo da Unesco, criando assim também, segundo  Kallen (1996) , uma ligação orgânica com as suas atividades científicas, culturais e sócio políticas.

Em 1973, através de "Recurrente Education: a strategy for lifelong learning" (Kallen & Bengtsson, 1973) traça objetivos mais modestos que definiram então a "educação contínua" que, segundo Papadoulos (1994:113) era uma estratégia de disseminação de oportunidades educativas menores ao longo da vida dos indivíduos de maneira a cobrirem as suas necessidades quando necessárias. E estes objetivos "encaixaram-se" como objetivos globais da OCDE, com forte conotação económica reunindo educação formal, inicial, educação de adultos e formação no trabalho, relacionando assim, um novo enquadramento político, um conjunto de objetivos educacionais, económicos e sociais comuns.

A coincidência destes 3 paradigmas de ALV suscitam críticas, as quais fazem emergir e influenciar directamente o pensamento sobre novos conceitos e políticas da aprendizagem ao longo da vida.

Acredito que, numa visão pessoal, as orientações e diretrizes relativas à ALV implicavam uma rotura que obrigava passar-se de políticas educativas sustentadas numa evolução na continuidade para políticas que implicassem uma descontinuidade assentes numa mudança de mentalidades que exigiam, fundamentalmente, outras práticas que premiassem a co-participação de todos no sentido de fazer da educação uma aprendizagem transformadora e capacitadora que "recheasse" a vida dos indivíduos, tornando-lhes possível agilizar um processo contínuo de aprendizagem capaz de lhes dar outro sentido à vida.

Sitoe, R. Aprendizagem ao longo da vida: um conceito utópico?. Comportamento Organizacional e gestão, 2006, Vol. 12, nº 2, 283-290

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