Genericamente podemos afirmar que a
Aprendizagem ao Longo da Vida nas décadas de 1960 e 1970 apresentava-se sob a
designação de Educação ao Longo da Vida como um conceito humanista, , cujos
debates eram organizados em torno de três textos convergentes mas redigidos
independentemente pela Organização das Nações Unidas para a Educação e a
Cultura (UNESCO), Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Económico (OCDE) em 1972, e mais tarde pelo Conselho da Europa (1978).
Emerge daqui a noção de uma política
de Educação ao Longo da Vida assente em dois elementos essenciais que são, por
um lado, a extensão do ensino pós-obrigatório à totalidade do tempo de vida e,
por outro, a organização recorrente do sistema com vista a abranger todos os
momentos da vida, proporcionando uma distribuição mais equitativa e eficiente
das oportunidades educativas a toda a população. Trata-se, portanto, de uma
tomada de consciência da necessidade de estabelecer uma coesão das políticas
educativas, sociais e do mercado laboral, de forma a responder
satisfatoriamente às mutações do mundo do trabalho.
Da década de 70 o destaque da Educação
e da Educação ao Longo da Vida tem dois nomes: Paul Lengrand e Edgar Faure; O
primeiro foi , autor do relatório intitulado Une introduction à l’éducation tout au long de la vie(1970),
e numa perspectiva humanista, representa a Educação Permanente num esforço para
reconciliar e harmonizar os diferentes momentos da formação, dando importância
à unidade, à globalidade e à continuidade do desenvolvimento da pessoa,
concebendo-se para tal programas e instrumentos de educação capazes de
estabelecer uma comunicação constante e permanente entre as necessidades e a
formação geral, o ensino da profissão, a expressão cultural com, e para as
quais, cada indivíduo se realiza e se completa.
Em 1972, a Comissão Internacional para
o Desenvolvimento da Educação, presidida por Edgar Faure publica o
relatório Learning to
be: the world of Education today and tomorrow que defende a
integração dos contextos de aprendizagem formais e não formais e afirma a sua
orientação a favor da democratização da educação pelo supressão de barreiras
que possam impedir os mais desfavorecidos a acederem à educação. Espelha-se
assim que Edgar Faure, entendia a educação como processo educativo
global, onde a Educação Permanente fosse expressão de uma relação envolvente
entre todas as formas e momentos do acto educativo sendo, na década de 70, uma
nova forma de entender a educação quando questiona as próprias raízes do
sistema educativo, ao integrar e articular todas as estruturas e passos da
educação, ao considerar e reconhecer a educação formal mas também a educação
não formal e informal, ao supor uma educação contínua ao longo de toda a vida
de acordo com as necessidades de cada etapa e idade, ao não admitir a separação
entre educação escolar, não escolar e extra escolar e ao favorecer tanto a
adaptação do indivíduo à sociedade como a sua capacidade em transformá-la.
As questões iniciais sobre a Educação
ao Longo da Vida são então rapidamente ultrapassado por acontecimentos como a
“crise do petróleo” ocorrida em 1973, precipitando os países ocidentais para
taxas de desemprego crescentes durante mais de uma década, resultando numa
crise política. A recessão económica na Europa provocou um câmbio drástico na
política educativa concebida nos anos sessenta, e as mudanças económicas
induzidas pela crise exerceram uma pressão crescente sobre as finanças
públicas, resultando frequentemente em cortes orçamentais para o sector da
educação.
É desta forma que em finais de 70, o
conceito de Educação Permanente se amplia e relaciona quase exclusivamente, com
a formação profissional associando-se ao prolongamento da escolaridade
obrigatória , ao aumento do desemprego e à introdução de programas
técnico-profissionais no ensino superior.
O conceito renasce em 90 para se
colocar num contexto totalmente diferente, sendo a luta contra o desemprego e a
competitividade as prioridades da sua agenda, já que as empresas se vêem
confrontadas com novas exigências que visam a sua adaptação às mutações
tecnológicas e às inovações na organização do trabalho, para além da
mundialização dos mercados. Estas evoluções aceleraram a obsolescência dos
conhecimentos e das competências. É nesse momento que os termos “Educação” e
“Aprendizagem” ao Longo da Vida começam a diferenciar-se: a noção de aprendizagem
coloca a responsabilidade do indivíduo em primeiro plano quanto à evolução do
seu percurso educativo; é da responsabilidade de cada um “consumir”, de acordo
com as suas necessidades, as ofertas de educação e formação colocadas à sua
disposição de forma a conseguir manter a sua empregabilidade.
Ribas,
Béatrice Perez Lages. Políticas de educação de adultos e o ensino/ aprendizagem
das línguas estrangeiras.
Acedido em 15.04.22 .Disponível em
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/938/1/Pol%C3%ADticas%20de%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20de%20Adultos%20e%20o%20ensino_aprendizagem%20d%E2%80%A6.pdf
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